Parada Disney em Salvador


                                             


Domingo, a chuva começa fininha mas a criançada esta atenta porque a cidade terá o desfile com personagens da Disney.
Puro encantamento, mas eis que num visual belíssimo onde o mar beijava a areia, e o céu era amparado pelas nuvens para que não chovesse na terrinha, o povo aglomerava-se, e corria desordenadamentem até porque os tupiniquins e soteropolitanos não estão acostumados com esse tipo de evento.
Mas eis que eram distribuidos leques, enfeites com orellhas do Mikey, pulseiras para a identificação das crianças, jovens indicando os melhores locais,enfim até parecia que tudo ia dá certo. Lêdo engano! Os adultos se amontoavamá frente das crianças e com as máquinas fotográficas buscavam o melhor ângulo, não importando se estavam a empurrar os menores que sonhavam em ver os personagens que flutuam por seus sonhos.
Consegui me posicionar com a minha filha por volta das 10 horas da manhã, em meio a um aglomerado onde um homem forte e alto, teimava em empurrar a todos, e gritava que era fã da "pequena sereia". Num misto de ridículo ou "compreensível"falta de infância, ouviamos do cidadão:
-Nem quero saber. Daqui não saio mesmo tendo que ouvir essas músicas americanas.Queria mesmo era meu pagode, mas esses homens não sabem o que é bom.
Algumas pessoas sorriam quando...
- Eu já te disse que você tem que "bater" as fotos e tenha cuidado porque ainda não paguei a máquina.
- Precisa falar, é? Você tá querendo "poblema".
Novamente as pessoas sorriram, mas eis que a mulher abre uma sombrinha toda quebrada como se quisesse proteger-se dos simples raios de sol que despontavam.
- Êpa! a senhora não tá vendo que essa merd., vai furar alguém? Quer ficar numa boa, não vem.
E aí começa o bate-boca, que só não foi aos tapas porque pontualmente ás 10.30 horas dava início ao desfile para surpresa de um povo acostumado com a impontualidade.
Olhos atentos e num passe de mágica o sonho se foi deixando diante dos nossos olhos, uma multidão a correr para todos os lados como se quisesse entender o que se passava. Pensei e repensei, e corri para as proximidades da água do mar, arrastando a minha filha que nada dizia, porém os seus olhos saltavam.
Conseguimos enfim chegar ao nosso carro e aí...e aí....é que começou o despero. Eram carros para todos os lados,ônibus lotados, crianças perdidas e chorando, adultos a reclamar, enfim, que sufoco!
Pensava que ali era a filmagem de algo tipo "tsunami" ou "the after day" porque tive medo do que poderia ocorrer diante daquela situação. Não tive dúvidas: procurei a primeira barraquinha - como são conhecidas os pequenos bares en Salvador - parei o meu carro, pedi uma cerveja bem gelada e aguardei ate que aquela primeira loucura passasse para enfrentar uma nova agonia, a decisão de futebol entre os times do Bahia e do Vitória.
Amanhã será um novo dia. 
 
 

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