Poesia em tempos de indulgência.

Efêmera e solitária é a vida ao solidificar as vicissitudes do homem moderno. Assim, podemos enxergar a dor do poeta, um ser divisível, imperfeito, porém determinado.
Ele é o elo mestre, a mola propulsora que tenta reconduzir ao seu semelhante diante de caminhos em que possa encontrar a certeza do amanhã, em meio à tão sonhada e perfeita paz.
Acreditamos, entretanto, que a indigência é tão somente humana, todavia é mister observar que cabe em todos os reinos (animal, vegetal e mineral), pois há uma subserviência de valores. Nota-se que a transmutação desordenada conduziu ao tão temido medo do isolacionismo. Assim, em tudo há o reflexo da dor, da crueldade.
É preciso amar, é preciso cuidar, é preciso acreditar.
Esmolamos através do computador a necessidade do companheirismo, teclamos na tentativa de romper ao nosso próprio mutismo. Encaramos e julgamos ao semelhante, mas temos receio de cumprimentar ao nosso vizinho, de afagar a um animal, de chorar por nossos mortos. Infinitamente tolos, tentamos nos esconder, mas somos perseguidos por nossa consciência.
Ainda há tempo para recomeçar... Jamais será tarde. Podemos ser indigentes do alimento para o corpo, do “pó nosso de cada dia”, entretanto a nossa alma não pode responder “amém”, visto que o homem é o alvo e tem o poder de transformação, é capaz de sonhar e refletir. E, entre os girassóis poderá ressurgir a sua áurea translúcida.
A poesia poderá ser a pedra bruta, lapidada será poema e a transformação ocorrerá. Entre o bêbado e o equilibrista podemos terá a certeza de que ambos se identificam. O primeiro, pela tentativa do equilíbrio, o segundo, porque trôpego, pensa em equilibrar-se. Mas tentam ver no universo um arco-íris onde cada nuance expõe a sua beleza. É fundamental saber decifrar.
Devemos perceber que o garoto vítima da guerra da fome, da tirania do poder, das falcatruas, do desemprego, do analfabetismo, e/ ou da falta de saúde clama em seu lirismo envolvido na dor.
Portanto, poemar é nascer e não, amaldiçoar-se.


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