domingo, 16 de maio de 2010

O medo da morte

O medo da morte não é inato, mas é introjetado desde a infância e atinge a todos os seres humanos, racionais. Dependendo do nível de ansiedade da pessoa, se torna aterrorizante. Dependendo da maturidade psicológica ou do envolvimento religioso e filosófico, o pavor poderá até se tornar menos intenso; falar sobre ela pode parecer mórbido, e a nossa sociedade observa ao assunto com a sutil curiosidade, ou fugindo por completo do assunto.
      O que se teme, na realidade, não é tanto a morte- creio- mas sim o processo de morrer: a dependência, a impotência, o sofrimento, o desconhecido.
     Mas essa é uma realidade diária. Sabemos que morremos todos os dias, um pouquinho. Mesmo assim, vivemos como que aterrorizados diante da morte do outro. Na verdade, o que mais preocupa o ser humano não é o “quando”, mas o “como” e “do quê” vai morrer.
      Segundo o Pe. Léo Pessini, num momento de “ilusão utópica”, chegou até em acreditar que a realidade do morrer não faz parte do nosso existir – pensamos e agimos como se fôssemos imortais.
      Evitar falar sobre a morte é uma das formas que utilizamos para nos defender ou nos pouparmos do sofrimento. Entretanto, temos a certeza absoluta, que um dia iremos morrer. Quando acontece numa idade mais avançada é entendida como um processo natural e lógico no ciclo de vida familiar, mas quando o mesmo evento acontece a uma criança ou a um jovem saudáveis é considerada como a maior tragédia humana – os chamados “golpes do destino”. Por outro lado, quando  é causada por uma doença crônica, fatal e prolongada, pode ser uma alívio para os membros desta família, não importando se o doente for criança, jovem ou adulto.
Em verdade, todos nós temos histórias para contar sobre perdas de pessoas queridas, laços desfeitos, amores perdidos, vidas despedaçadas, mortes repentina. Creio que é através da morte que as pessoas se envolvem mesmo não tendo maior afinidade com o outro; e em sendo assim, acredito ser o maior dos sentimentos, ou no mínimo, tão forte quanto o amor.
Segundo Joana de Angelis (doutrina espírita), o medo da morte resulta do instinto de conservação que trabalha a favor da manutenção da existência. Outrossim, tememos a tudo que nos é desconhecido e, o compositor e cantor Gilberto Gil assim se expressa: "...não tenho medo da morte/ mas sim medo de morrer/qual seria a diferença/ você há de perguntar/é que a morte já é depois/morrer ainda é aqui na vida, no sol, no ar.
Portanto, há de se entender que o homem por mais que se denomine como um ser evolutivo de maior grandeza é um infeliz e pequeno ser diante da consciência de que a sua existência é limitada e busca na crença da vida após a morte, a razão para preservar-se diante da sua insensatez.
  

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