domingo, 14 de março de 2010

Envelhecer com Dignidade: Projeto "Espicha Verão" Salvador/Bahia



Pergunto-me constantemente ate quando nós, seres humanos, poderemos nos identificar como espécie oriunda de um Ser Superior.
Observo insistentemente que o passar do tempo em nosso Brasil não significa respeito, dignidade; aliás, desde o nascimento, e a cada dia que passa, mais e mais são as criaturas jogadas como lixo humano.
Somos descartáveis, insignificantes, ou nos enganamos por trás de uma cortina nojenta chamada sociedade?
O passar dos tempos no reino dos irracionais demonstra respeito, culto ao mais velho como forma de aprendizado. Entretanto, os depósitos onde são jogados aqueles que não conseguiram o chamado patrimônio financeiro, é o reduto inevitável.
Mas, como “enriquecer” e tão ridiculamente ouvir colher os frutos do que plantou, se ate para os que conseguiram concluir o curso superior é desafiador? Os cursos e concurseiros lotam as salas e ali vivenciam utopias ao se imaginarem estabilizados (mal sabem que no “funil” poucos são os sobreviventes). E para se tornar gari, é preciso ter o curso médio – sim, isso mesmo. O curso que conduz a universidade. Parece ate piada, mas é verdade. Triste realidade!
O comércio ambulante se espalha pelas metrópoles e até pelo interior como uma praga, cujo inseticida é a guerra da caça de “gato e rato”: de um lado, fiscais em busca de fazer valer o que lhe disseram ser autoridade – apreender as mercadorias daqueles que conseguiram com muita luta adquirir o mínimo para tentar a sobrevivência; do outro, homens, mulheres e crianças de todas as idades e as chamadas classes sociais, buscando reerguer-se.
Para completar a esse triste quadro, a Bahia cria o projeto “Espicha Verão” dizendo ter como objetivo revitalizar o bairro da Barra, que já esta tão machucada com a depredação que ali se instalou, e ainda valorizar cantores da nossa baianidade (mas e onde estão esses cantores?).
O que se vê verdadeiramente são palcos mirabolantes montados na tentativa de esconder o desemprego, a miséria, a fome, as dores do nosso povo. Encontramos demarcação de áreas consideradas exclusiva de alguns; locais que poderiam se tornar em espaços higienizados com água potável e sanitários para os vendedores sendo privatizados, grupos folclóricos lutando para mostrar a reminiscência do nosso povo, que também era embalada por um grupo alegre e colorido de cantadores que conduziam a massa ao som de violas simples como a vida de um povo que envelhece e procura a tal dignidade.

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