Ausência do Amor

Amando cultivamos a nobreza de espírito. Mas o que é amar?
O despertar desse sentimento tão puro projeta-se de qualquer que seja a espécie no momento em que seja desejado. Todavia é tão forte, que as criaturas viventes – talvez por fraqueza própria – não crêem quando se sentem tocadas por algo nobre e singelo, que nada pede em troca.
Somos ambiciosos e irreverentes, inteligentes, mas inconsequentes e, se o assunto é deixar que o outro perceba os nossos sentimentos, somos levados e acorrentados a não fraquejar.
E por que o medo de declamar o verbo amar?
Vivenciamos momentos de dor e medo, ansiosamente nos debatemos diante do desconhecido, inigualavelmente nos encontramos trôpegos, caídos e quase que inertes diante do caos em que vivemos.
Sabemos que queremos ir, mas não temos a certeza se chegaremos se atingiremos aos nossos objetivos. As vidas encontram-se jogadas e ceifadas a qualquer instante, tal qual a areia é levada pelos ventos; Tornamos-nos peças minúsculas de um jogo, onde somos atingidos por nós mesmos.
É irrecusável, mas necessário admitir que até a amizade tornou-se temerosa e desigual. Já não conseguimos confiar em nossos amigos aos quais outrora chamávamos de “irmãos”. É como se eles se tornassem Caim diante da nossa existência.  Quem sabe queremos reviver passagens da história que nem sequer deveriam ser mencionadas: Mas estamos em guerra.
A guerra é declarada ao nosso amor, a nossa vida, a nossa existência, pois perdemos a vontade de viver por construir. Vivemos para lutar! E, nessa luta onde o sangue que jorra das nossas veias esvai-se em meio à dor, e também entre os nossos laços de família, somos acometidos pelo desejo de vingança e não de conquista.
A disputa tornou-se acirrada para que possamos também matar a fome do nosso estômago, que se contrai, e se expõe em mãos que se projetam diante dos nossos olhos desde a mais tênue infância abandonada, ou exilada pela ausência dos verdadeiros donos da sobrevivência. Estamos realmente incapazes de enxergar porque os nossos olhos já não vêem. Encontram-se lacrados e sequer marejam pela ausência do amor.

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