A Hipocrisia Humana





Fico impressionada com o alcance da hipocrisia humana quando dou uma parada e olho o mundo ao redor. Chega a ser asqueroso o modo como as pessoas reagem diante de determinados fatos.
Percebo nessa sociedade doente, fraca e hipócrita como não tem moral para falar de dignidade, ou da ética, porque ela é antiética em sua essência. Ela despreza a liberdade, repudia a igualdade, se diz que defende aos valores, isso é tática de demagogia.
Mas, se reportarmos aos tempos passados, perceberemos que o ser humano tornou-se um grande vilão estuprador de almas. A história das civilizações nos contempla com muitas matanças, barbáries, pilhagens e instituições que legitimaram a hipocrisia em nossa civilização.
Basta encarar com coragem, sem piegas, a comédia do natal que acontece todo final de ano nos chamados encontro de confraternização. O evento não tem nada a ver com o aniversariante, é apenas uma data comercial que serve para consolidar o domínio do deus capital e toda aquela hipocrisia rasteira pela qual Jesus foi crucificado. Em raríssimas e quase que extintas famílias nos deparamos com o verdadeiro e desinteressado amor. Em sua maioria, o que se vê é o desfile de grifes famosas, a troca de presentes caríssimos – e ai daquele que ousa levar uma pequena lembrança! E a farta mesa? Essa não pode ser tocada, enquanto todos os olhos não se satisfizerem de que realmente podem “encher a mesa”. E aja espírito cristão!
Se conversarmos com os nossos conhecidos, observaremos que a maioria diz querer e praticar o bem em relação ao próximo. Mas se isso realmente fosse verdadeiro, por que o Brasil é hoje e mais do que nunca, um caldeirão de miséria e miseráveis?
O que dizer sobre tudo isso? Somos hipócritas!! Sabemos o que precisa ser feito, e como fazê-lo, mas não fazemos nada porque estamos brutalmente anestesiados para encarar com naturalidade as mazelas da vida.
É tamanha a bestialidade da hipocrisia que até diante da morte é notada a compulsória deselegância da infinita estupidez. As lágrimas cedem lugar a insignificância da vida; a dor é visitada por palavras ferinas, cortantes tal qual a navalha afiada. E eis que surge maquiavelicamente a figura de alguém que expõe em ar de nobreza que a sua presença é e deve ser notada para que os presentes saibam: aqui não acaba a vida, pois a soturna e sombria imagem da prepotência se faz ver.
E entre o desespero de poucos é necessário tentar entender que o ser humano é o maior algoz da sua existência. Quanto aos melhores, aos que ainda desejam implantar o amor, que se despedacem, pois o mais forte vence. E nesse jogo, o perdedor não é o predador, mas o arrebatador de tristes desilusões.

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