terça-feira, 24 de maio de 2011

Morcego da Sublocação

                                                        
Em sol a pino
Lavrei a terra
Cavei o chão
Queimei a carne
Calejei a mão.
Amarelei o meu sangue
Mas nutri meu patrão.

Nos sulcos de uma gleba
Plantei sementes
Escondi meus sonhos
E passou o verão.
E vieram as águas
Colheram os frutos
Eu fiquei na mão.

Não tive opção,
“chupei” o dedo
Abençoa, mãe!
Enxuguei as lágrimas
Cai no mundo
Caminhei em vão.

Se aqui cheguei
Andei e caminhei
Mostrei meus calos
Feri meus dedos
Deram-me emprego
Virei “morcego”
Da sublocação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

DESESPERADOR

E quando menos esperamos, mais uma tragédia.  Estamos vulneráveis o tempo inteiro; não existe  lugar "seguro". Até q...