Abandono....

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Fiquei a pensar sobre o significado das palavras, e eis que uma se destaca em minha mente: abandono.

Percebo que se recorro ao dicionário, encontro: desamparo, desprezo, renúncia. Mas e o que significa para cada um de nós essa palavra?

Encontro respaldo para tal explicação no abandono afetivo. Dele seguem-se voluntariamente todas as outras formas de abandonar ou abandonar-se. E a ausência da família na vida do indivíduo é preponderante para como consequência o estado de solitário, abandonado.

 Não acredito que a solidão pode aplicar-se, porque -por vezes- necessitamos de momentos sozinhos com a nossa alma para que possamos refletir. Entretanto, o que observamos, é que prevalece, o fator econômico como “substituto” dos laços essenciais para que o homem se torne pleno.

Todos possuímos uma família mesmo que tenhamos ou não restrição. A partir daí os primeiros conceitos serão substanciais diante da trajetoria da nossa vida. Todavia, na atualidade, a figura paterna desaparece espantosamente, deixa o papel de regente, e surge por conseguinte, a fragmentação.

 Nossos jovens envolvidos nessa egocentricidade tornam-se cada vez mais fragilizados, e sucumbem sugados pelas drogas, pela prostituição, por abandono escolar e todas as demais bestialidades. E muitas são as mães que abandonam mesmo antes do nascimento aos filhos. A rejeição é tão horrenda que torna-se espantosa; O que poderia ser a célula mater dissipou-se.

Apesar dos pais possuirem direitos e deveres para com os filhos não exercem mais o controle sócio-cultural e ético-religioso. Buscam transferir para a escola ou terceiros, o que por obrigação e direito lhes é conferido. Em verdade há o abandono, a desintegração das famílias.

E a nossa velhice, os nossos idosos? Esses se” contentam” quando são notados em sua existência pois há muito são ignorados, são vistos como fardos pesados, e até agredidos. Aqueles que o rodeiam não têm paciência e nem tempo para ouvir, preferem deixar ao abandono.

Estamos diante das tecnologias, dos modelos mais avançados de computadores, da rapidez para amar e do se sentir amado (se assim podemos dizer que é amor).

Nos impulsionamos diante do complexo de Peter Pan desejando a eterna juventude, e esquecendo das nossas responsabilidades porque nos tornamos imaturos, e tentamos nos enganar negando a maturidade. Talvez devido ao modismo, queiramos invadir aos sonhos de Cinderela desejando o encontro com alguém idealizado como modelo de perfeição física e intelectual, mas na maioria das vezes ocorre a decepção ou - quem sabe – se falamos em complexos, pode-se dizer que é o complexo de Poliana, onde jamais se aborrece ou reclama, e a tudo aceita para desembocar no solitário abandono, onde se faz necessário compreender queo medo da solidão deve oferecer lugar a acreditar em nossos próprios valores, mesmo que não tão significantes para outros mas de imenso significado para quem possui.

Se tornamos solidários através da transmissão da paz interior e da fé para com o nosso próximo, jamais seremos abandonados, pois certamente em algum lugar haverá uma mão a estender-se em nosso auxílio.

  

 

 

 

 

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