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Sou baiana sim, mas o orgulho não é fazer parte dessa Bahia.
A minha Salvador é sim, de outra era.
As lágrimas vieram ao meu rosto quando desembarquei na cidade soteropolitana, mas um pouco antes ouvia e via o pânico dos que estavam a bordo comigo de um transatlântico, informados de que a cidade estava em sinal de alerta vermelho. Pela primeira vez percebi que as cores realmente tinham representatividade.
O tempo passa, é verdade! E quando passa, o menos que esperamos é deixar marcas positivas em uma sociedade; Entretanto, mataram a minha Salvador, a terra onde nasci e aprendi a amar.
Sofri desesperadamente ao ouvir dos que estavam a bordo, de que nada perderiam se não visitassem a minha cidade, até porque era fétida, suja, um cartão postal maquiado e verdadeiramente manchado por impurezas. Tentei - sem êxito - desmascarar aos que se vangloriavam de falar que nada mais havia da cidade que outrora teria sido o berço do Brasil.
Chorei... Porém alguns dias se passaram após o meu desembarque, e chegou o carnaval. Ainda orgulhosa da minha baianidade fui às ruas encontrar o meu povo, as nossas músicas e o nosso ritmo.
E logo ao primeiro dia na avenida vi uma cidade realmente fétida e invadida por seres promíscuos, que exibiam o pior do que se pode esperar de uma cidade por onde tenha ocorrido civilização.
Desesperada fugi....Mas, voltei para a segunda-feira da mudança do bairro do Garcia, mas conhecida como Mudança do Garcia.
E, para o meu desespero, embora estivesse comigo um filho que em épocas passadas olhava e falava o que poderia contribuir para os erros, para a mudança do nosso estado, do nosso País, encontrou almas perdidas, sôfregas, que ostentavam corajosamente palavras esboçando o descontentamento diante de uma cidade aprisionada por governantes que desgraçaram com um povo outrora feliz.
Esse povo viveu a ditadura explícita e condenada, mas hoje convivem com a ditadura disfarçada, em que são proibidos vergonhosamente de invadir as teias do Campo Grande, local considerado os “olhos do turismo” onde os grandes heróis desse povo, e também massacrados são os policiais, que certamente envergonham-se de representar á lei. Eles - coitados – também estão reprimidos e assassinados. Sequer sabem se terão retorno para os seus lares. Sequer sabem para onde vão. Sequer percebem o quão valorosos são para essa nação.
Cheguei a lembrar á letra da música: “Caminhando e cantando, e seguindo...” E segui...
Busquei desesperadamente pelo povo que fez parte da velha mudança e descobri que foram abatidos pela opressão, que não estavam entre os que corajosamente invadiam á avenida clamando pelo dom de viver. Ouvi o toque da velha bandinha, e o mestre Val tentando segurar a emoção...
E diante da miséria e podridão que se instaurou no carnaval da Bahia apenas lamentei, e postei nessas palavras a dor e a revolta por tudo o que esta sendo feito para exterminar com uma cidade que é o berço de um País chamado BRASIL.

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