Crônica do Cotidiano



Lucca, jovem executivo, muito alvo, olhos e cabelos castanho, estatura mediana, e acabara de chegar de uma grande metrópole onde os encantos e sonhos faziam parte do seu cotidiano.
Ali, naquele lugar frio e sem graça, as tardes esmaeciam sem o alaranjado brilhante dos belos e fulgurantes entardecer. O metrô – seu principal meio de locomoção outrora – dera lugar ao velho trem, e assim procurava se adaptar àquela nova realidade.
A moça de olhos azuis escuro, cabelos esvoaçantes, vestida como executiva, e andar meio que irreverente, provocou no rapaz olhar curioso, pois ali estava sempre no mesmo horário do seu embarque, e despreocupadíssima com os atrevimentos e suspiros que despertava naqueles que por ali circulavam.
Era mais um dia chato e sem cor... Ele viu a garota, porém ela estava diferente. Ela parecia ter mais cor, esta mais viva, mais atenta aos burburinhos. Pensou: “De hoje não passa!”.
Estava decidido a falar com a jovem, saber quem era de onde vinha, o que fazia, quando o vento soprou forte e arremessou um papel no rosto dela. Entreolharam-se e sorriram, todavia ela apressou-se e entrou no trem.
O papel Lucca segurou ansioso e notou que o batom desenhara os lábios carnudos daquela mulher interessante. Guardou carinhosamente o papel como se fosse um cartão premiado de loteria.
Certa manhã estava no escritório onde trabalhava, e quando se aproximou da janela viu a moça com quem tanto queria reencontrar sentada, a alguns metros á sua frente, mais bela do que nunca. Por alguns instantes ficou hipnotizado, mas logo se recompôs e teve a ideia de jogar uma bolinha de papel nela, todavia desistiu. 
Pensou mais um pouco, escreveu num papel colorido “Ei linda”, dobrou, porém quando foi lançar, ela se levantou e seguiu para o elevador rapidamente. Angustiado e já sem alternativas jogou o papel.
Ela assustada abriu o “aviãozinho” e olhou friamente para ele que não sabia o que dizer, mas ela gritou alto: Sou casada! ... A vidinha de Lucca continuou chata e fria, ou tão gelada quanto aquelas palavras.


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