Triste Realidade: PROFESSOR no BRASIL.



Exerço a cerca de trinta anos a profissão de educadora. Por minhas ideias e ideais muitas mentes estiveram por cultivar ao que chamo de valores; e não se faz necessário que sejam muitos, desde que a sobriedade, a sinceridade, a auto crítica, o desejo de servir e ouvir estejam presentes.
Mas, o tempo decorre, e é lastimável observar que tudo o que preguei está sendo sucateado de maneira abominável. É duro ver e crer que os responsáveis direto pela formação do País - tão desgraçado, e esmigalhado – são os principais algozes diante do que deverei nomear como princípios. Em verdade, a formação escolar é hoje um meio comercial de subsistência, onde os donos (em sua maioria) sequer estão envolvidos com o processo pedagógico, mas com a fatura mensal que verterá em lucro direto para rechear a sua vil imagem, encoberta pela flácida e nada sugestiva maneira de conduzir aos professores, os quais tentam sobreviver diante da “esmola” mensal que lhes é concedida.
 E, nessa ciranda desordenada, alguns buscam se sobressair através de didáticas inusitadas, que vão desde a excelência das suas aulas eivadas de conhecimento e dinamismo, aos que revoltados e sem esperança de que sejam notados, recorrem as reprovações em massa, como forma de aterrorizar aos alunos, os quais acuados, nada lhe resta senão o silêncio, o medo do que lhes é pronunciado.
E assim seguimos em busca do nada, oferecendo o vazio como proposta de futuro, pois se não há respeito ao professor o que haveremos de encontrar? Determinar aos estudantes que sejam polidos e acreditem em instituições de ensino que sequer lhes oferece credibilidade, que expõem aos seus mestres como se fossem marionetes sem vida, sem respeito?
O que esperar se a juventude comprovadamente não mais tenta, devido a total desvalorização, sequer como opção final, tornar-se professor?
É bem verdade que as escolas, cujo foco é conduzir o aluno ao aprendizado, e valorizar ao profissional, percebem a dificuldade para conseguir um bom professor, visto que, rapidamente preenchem a sua carga horária.
Os mais jovens chegam temporariamente, e veem como um “bico” enquanto não fazem o mestrado, porque não querem fazer dessa a sua profissão onde hoje, numa escola particular, o piso salarial não chega a R$ 5,00 por hora/aula e as mensalidades são exorbitantes. Assim, podemos afirmar que a carreira não é sustentável.
O pedagogo não está comprometido somente com o ensino, mas também com a justiça, com a inclusão social, e na formação de profissionais capacitados e atualizados.
Atribuo -  sem dúvidas –essa onda incessante que invade a esse circo de horrores e temores em exercer a um trabalho tão humanizado, a falta de suporte adequado nas escolas, a falta de amor ao próximo / a violência, a ausência da família, a falta de recursos materiais, ao desgaste emocional que o ser humano vive numa corrida desenfreada para alcançar o inatingível, e sobretudo, ao “esquecimento” de que existe, sim, um SER SUPERIOR, e que não estamos no universo como folhas secas arremessadas pelo vento.
Essa certamente é a razão de um povo cercado de protestos, de fome, de misérias, de violências, de lideranças, de lágrimas. Mas, ainda guardo em minhas lembranças a certeza de que soprei forte em muitos ouvidos, e muitos ecos são percebidos, porém pouco escutados; se não posso remover a montanha, certamente continuarei a buscar atalhos para prosseguir em meu caminho.
Um dia, com certeza, esses atalhos serão mais largos, terão mais espaços, conseguiram abrir novas fronteiras, e comprovadamente a experiência adquirida fortalecerá para que um bandido ou um herói faça valer o quanto é valiosa a presença do professor em nossa vida.
Não podemos calar nem chorar, não podemos gemer nem implorar, não podemos desistir nem impedir porque MESTRE é todo aquele que acredita ser um instrumento transmissor da EDUCAÇÃO, e não existe nem existirá – nunca! - uma vacina capaz de calar o pensamento humano.

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