quarta-feira, 4 de abril de 2012

Medo de Arriscar



Sim, tenho medo da vida e medo de amar. Mas nada posso fazer se esse sentimento avança sobre mim com as garras de uma águia? O fato é que é tantas dores e decepções, tanto medo de errar e persistir e me machucar, é tanto receio de sofrer e sofrer cada vez mais, que corro em direção ao vazio, e nessa escuridão, nessa falta de luz, atordoa-me os pensamentos e sofro cada vez mais.
Quisera ter a altivez de uma gazela fagueira que corre por entre os campos sem ter que olhar para trás. Tenho certeza de que jamais seria uma avestruz a esconder os meus ideais por loucas ideias que assombram ao meu juízo. E, nesse instante, me questiono se o juízo é valor, se o que é certo não esta errado, se o que transforma não seduz, se o que congestiona não nos atiça a novos caminhos, a um novo olhar.
Sim, quero arriscar-me digo aos meus ouvidos. E eles escutam, mas não deixam que o vento espalhe, pois bem sabe que se espalharão como sementes e brotarão como flores.
E então penso: e se ousares pisar nessas flores, se não souber regá - las, se descuidares do carinho que devereis tratá-las?
Sim, sou frágil, todavia envolvo-me com uma carapaça tão forte que aos olhos alheios tenho a fortaleza de uma guerreira. Desejaria muito que soubesses que nessa guerreira se esconde um coração iluminado e ferido, profundamente atacado, e que sangra, e que tem feridas abertas e nunca encontrou alguém que delas cuidasse, e as cicatrizasse.
Sim, estou exposta e composta diante daquilo que sem nem saber o porquê e para quê me disseram que é a vida. E por ela, caminho entre pedras e espinhos entre galhos e sobressaltos, mas com a esperança escondida sobre o véu da sensatez, que sou menina e mulher, sou a flecha ou o anzol, sou a chuva ou sou o sol, a estrela que um dia, seguira por um turbilhão de luz.

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