sexta-feira, 7 de abril de 2017

Monotonia




Sinto saudades de ti
Quando durmo e acordo
Se chorar ou se sorrir
Ao ouvir o canto dos pássaros
No bailar da primavera
Diante do romper da aurora
Ou se já é dia de verão.
Amando a beleza da terra
Esquecendo tão forte ingratidão
Ganhando da poesia eterna
Cantando a nova canção.
E ao anoitecer pálidos fantasmas
Maltratam e ferem por emoção
Figuras pálidas, descontentes
No quadro da ingratidão.

Solidão, mas é domingo



Ouço Roberto: é domingo
Estou só: é domingo.
A canção tem amor: é domingo.
A solidão dói: é domingo.
Choro aos gritos: é domingo.
A dor é contida: é domingo.
Recordações da infância: é domingo.
Tão só... tão só ... tão só: porque é domingo.

Primavera nos Dentes





Ter consciência para ter coragem
Ter forças para saber existir
Ter o centro da própria engrenagem
Ter o invento da mola para resistir.

Se não vacila mesmo que derrotado
Perdido nunca desesperançou
Envolto na tempestade e decepado
Os dentes seguram a primavera em flor.

Você somente meu
Eu somente sua
Seus desejos todos meus
O que importa é ser sua.
Prá você eu sou eu
Pra mim você é doçura.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Meu jardim



Cada dia, a minha história.
Cada erro, um sentido
Cada palco, um paraíso
Cada canto, um martírio.
Sem sonho e sem sorriso
Pesadelos divididos
Estranhos e divertidos
Adormecem 
Em meu jardim

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Perfume





A cada hora que passa
Sinto cair uma lágrima
A saudade me desperta
Os meus sonhos me liberam
A ânsia me devora.
Quando sentir o seu perfume?
Seus beijos, abraços, ouvir a sua voz?...
Sua tênue ausência me castiga
E a distância me destrói.

Você tanto me satisfaz
Em cada encontro
Encontroa a verdadeira paz
Se a morte aos poucos chegar
Não haverá como escapar
- Mas, por favor, não chore!
Deixe a minha alma se libertar
 Meus sonhos se esvaíram,
Desejos me castigaram,
Sorrisos sombrios ficarão
Suspiros de amor permanecerão.



quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Pétalas






Existe algo mais valioso que o ouro,
Mais doce que mel,
Envolvente como as estrelas,
Brilhante como o sol,
Imenso como o infinito,
Delicado como o arco-íris,
Suave como pétalas de uma rosa.
Sensual como a lua,
Eterno como a alma...

O meu amor!

Desejo Artificial





É impossível lembrar como tudo começou
Mas você sempre dizia:
- eu te quero por todo o sempre.
Mas, nada era como imaginava
Tudo aos poucos se transformava
Você não mais me amava
Apenas o desejo artificial.

De tanto te amar, me perdi.
E quando tudo explodiu ...
Eu novamente me encontrei.

Hoje eu penso em como tanto te amei. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Magia e Desilusão




Suas torres góticas,
Batendo levemente pela extravagante neblina
O barulho do luar dos lobos,
 Espalhados por toda a região.
Logo a frente, o poderoso Drácula!
Com suas vestes sombrias...
Sua clara pele
A grande escuridão
Afiados dentes
Sempre alojadas no imenso castelo,
Deitados por altas janelas
Incandescentes a luz da lua,
E aqui corro perigo!
As veias clamavam por sangue,
O doce aroma das profundezas
O mistério estava presente
A sensibilidade cada vez mais próximo
O despertar da irresistível tentação,
A extrema leveza e a facilidade,
As suas fortes habilidades,
As suas belas e sedutoras aparências,
E lábios tão encantadores...
Velocidade já não era suficiente,
As mulheres finalmente gritavam
Encanto e sedução
Magia e desilusão
Roupas rasgadas ao chão
O intenso medo,
Devora o meu coração.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Por Uma Janela




O mundo é mostrado ... por uma janela
Minha mente navega
Meu corpo repousa.
Num piscar de olhos ...  Viajo.
Vou a um lugar em que haja paz.
Os meus olhos se abrem
Sinto o coração pulsar
As brisas do vento na pele tocar,
Enquanto bate a vontade
Novamente tento sonhar.

E a liberdade atrai a felicidade
Apesar de existir maldade
Não aceita tão doce prisão.
Um grande amor cura a saudade
Repara a dor da desilusão.
E o mais poderoso sentimento
Diante da vida faz lamentos em cor
E a cada lágrima da despedida
A certeza de que nada acabou.

Sigo diante do desconhecido
Mergulhando em um ar de limitações
Nada se ouve ...  Ou nada se cria
E aos poucos se desfaz o temor.
Se nada cabe no tempo
E nos tempos livres ficamos a chorar
Parece que não há espaço suficiente
Apenas refletir e repensar!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Não estamos prontos para o retorno





Não estamos prontos para o retorno. Em verdade, tememos pelo invisível, por tudo o que desconhecemos, por incertezas, por aquilo que foge ao nosso controle.
Por instantes nos mostramos valentes, ambiciosos, sedutores, gananciosos, orgulhosos ou amorosos...por reflexos – e não reflexão – invadimos a privacidade alheia, e tentamos expurgar as nossas revoltas interiores com a navalha afiada da nossa língua em detrimento do outro. E quantas vezes, sem que nos apercebamos julgamos e pré julgamos aos nossos semelhantes!
Admitamos que a inveja e a soberbia ultrapassam as nossas fronteiras tão egocêntricas, e descortinamos a um horizonte que sequer sabemos se um dia estremos a nos aproximar. Falhamos e persistimos, cobramos e não pagamos, revelamos o que nunca a nós foi revelado.
E, nessa pressa louca de se apresentar como verdadeiro conhecedor de todas as coisas nos julgamos superiores, esquecemos o quanto inútil e desprezível somos diante do universo contemplativo.
Quisera retornar ao passado e modificar tudo o que já está escrito ... todavia o tempo é implacável, e não nos dá uma segunda chance. Estamos à mercê das nossas escolhas e diretrizes, e por diversas situações incorremos ao mesmo erro acreditando que o resultado poderia se transformar.
Assim, esperamos por novas e inesperadas ou não inclusões, como se o destino fosse uma peça teatral que, ao apagar das luzes, a cena se modificasse.
 O espetáculo é o mesmo, apenas não aceitamos por ingratidão a tudo o que já foi ensinado. Quem sabe a dor, a angústia vão afagar a maior obra da criação: o homem... Quem sabe o homem não vai machucar a dor de tal forma que ele mesmo não suportara as suas atrocidades ... Quem sabe - um dia - o verdadeiro HOMEM se fara presença, e seremos todos incapazes de contemplar a LUZ! 

domingo, 6 de novembro de 2016

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NO BRASIL




Em meio a um turbilhão de crenças, o ser humano procura encontrara a sua própria identidade. Dentre tantos preceitos, crê na imortalidade da alma, na pluralidade da existência e, através da simbologia e tantos mitos, exerce diante do próximo, a intolerância religiosa como resposta para a própria fé.
Alguns creem que o corpo é tão somente um tênue fio que se fortalece através do espírito, o qual permanece na eternidade. Todavia, para muitos não há fatos comprobatórios ou científicos para tal pensamento.
Mas, por que o ser humano após tantas descobertas e evolução, permanece inflexível quando se trata da religiosidade?
O Brasil é o país da pluralidade e preceitos religiosos tão presentes na diversidade do seu povo, o qual tem no catolicismo inesgotável fonte tradicionalista, o crescimento dos evangélicos e, em seu berço – não há o que se negar – a influência afro através do candomblé e das suas múltiplas vertentes.
É mister buscar o encontro do pensamento, ideias e ideais, onde sobretudo, o respeito seja a base sustentável para um mundo melhor, pois no Brasil a a liberdade individual de escolha de sua religião e de expressão de suas crenças é assegurada e após a promulgação da constituição brasileira de 1988 o Brasil ganhou status de estado laico.

Prof.ª Káthya Ferreira

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Chegou a hora do ENEM 2016

AOS MEUS ALUNOS:

Sim. Decididamente estou muito feliz e orgulhosa por cada um de vocês que passaram e, certamente, ainda vão passar em minha vida. 
Meus queridos estudantes e eternos aprendizes que somos, o ENEM é tão somete uma etapa a ser cumprida, pois lembrem que a grande lição a cada segundo aprendemos. E, é preciso nesta verdadeira lição, buscar o significado da nossa existência.
Parabéns aos pais, familiares e a todos os que de alguma maneira esteve e está presente em suas vidas. Um beijo para os meus alunos de todas as cooperativas de ensino que entusiasticamente representam o verdadeiro sentido de cooperar. Avante!
Quantos de vocês bem sei do esforço para concluir ao ensino médio em um País onde a educação é tratada com indiferença e desleixo, onde os mestres são tratados como subservientes de uma Nação, que tenta a cada instante evitar que a cegueira mental atinja por completo a todos os brasileiros, onde o civismo desce no esgoto podre formado por aqueles que são verdadeiros dejetos humanos. 
Todavia, acreditem: ainda é possível fazer a diferença. Não somos vencidos e sim VENCEDORES


terça-feira, 18 de outubro de 2016

A medicina da cura pelo olhar dos nossos índios







Historicamente os índios têm sido objeto de múltiplas imagens e conceituações. As diferenças culturais dos povos indígenas, dos afrodescendentes e de outros povos portadores de identidades específicas foram sistematicamente negadas, compreendidas pelo crivo da inferioridade e, desse modo, fadadas à assimilação pela matriz dominante.
Os índios se sentem parte da natureza e não são nela estranhos. Para os povos indígenas não existe doença natural, biológica ou hereditária. Ela é sempre adquirida, provocada e merecida moral e espiritualmente. A saúde sim é natural, pois é a própria vida, uma dádiva da natureza, mas cuja manutenção depende de permanente vigilância e cuidado contra os espíritos maus da natureza. A doença, portanto, é o resultado da luta interna da natureza entre os espíritos “bons” e os espíritos “maus.”
De maneira geral, os povos indígenas concebem doença como intervenção de alguma força da natureza, seja como reação da própria natureza ou por meio da ação provocadora do pajé, xamã ou benzedeiro. Antes da chegada dos portugueses, e com a eles a medicina científica, seus remédios e tratamentos eram mais eficientes, pois conheciam as doenças que os acometiam. Os colonizadores trouxeram com eles outras doenças das quais os índios não tinham noção e não podiam curar – aliás, muitas dessas doenças trazidas nem mesmo os europeus sabiam ou sabem curar até hoje. Muitos especialistas da área médica reconhecem que os povos indígenas brasileiros, por ocasião da chegada dos portugueses, já conheciam mais de 2 mil plantas medicinais e muitos povos eram capazes de realizar operações e cuidar de fraturas ósseas.
A medicina indígena é uma das expressões culturais que mais se mantiveram. A própria Organização Mundial de Saúde (OMS) tem se interessado em resgatar e valorizar as tradições da medicina indígena como um conjunto de conhecimentos e valores ancestrais que seguem cumprindo, na sociedade contemporânea, funções importantes, como o trabalho das parteiras, a eficácia das plantas medicinais e os conhecimentos dos pajés.
Intuíram o que a ciência empírica descobriu: que todos formamos uma cadeia única e sagrada de vida, por isso, a atitude de respeito em relação à natureza. Tudo é vivo e tudo vem carregado de valor, de espírito e de mensagens sobre os segredos da vida que os homens precisam decifrar para viver. Para os índios, o invisível faz parte do visível, assim como os não-humanos fazem parte dos humanos. Assim, os índios nunca buscam controlar e dominar a natureza, mas tão-somente compreendê-la, para que se sirvam dela com respeito para tirar o seu sustento e a cura para as doenças consideradas como o resultado da transgressão das leis da natureza e da vida. A natureza não é um recurso manipulável, mas um habitat, uma casa, um lugar em que se está e onde se vive. O território é um lugar sagrado, no sentido de que ele é o próprio gerador da vida.
Os saberes indígenas respondem às suas necessidades e desejos. Suas crenças, valores, tecnologias etc. provêm de um conhecimento comunitário prático e profundo gerado a partir de milhares de anos de observações e experiências empíricas que são compartilhadas e orientadas para garantir a manutenção de um modo de vida específico.
Mas, os povos indígenas, ao longo de mais de cinco séculos de contato com o mundo global, aprenderam também a conhecer e a valorizar a medicina dos brancos, centrada no uso intensivo de medicamentos e de equipamentos médicos e na concepção de doença como algo biológico, que é materializado e expresso nas demandas crescentes por medicamentos, hospitais, laboratórios e outros meios científicos e tecnológicos.
Podemos concluir que cada cultura tem forma própria de organizar, produzir, transmitir e aplicar conhecimentos – conhecimentos sempre no plural. Os conhecimentos indígenas são essencialmente subjetivos e empíricos, por isso mesmo livres de métodos e dogmas fechados e absolutos, e se garantem na efetividade prática e nos resultados concretos que acontecem no seu cotidiano. Não importa como funciona, importa sua eficácia. A natureza, e não o homem, é a fonte de todo o conhecimento. Cabe ao homem desvendá-la, compreendê-la, aceitá-la e contemplá-la.